Um jardineiro experiente pode obter uma riqueza de informações úteis sobre a saúde e as necessidades das berinjelas apenas observando sua aparência. A condição das folhas pode ser usada para avaliar as condições de cultivo, erros de cuidado e problemas nutricionais, bem como para diagnosticar doenças e identificar infestações de pragas.
Um dos problemas mais comuns com as beringelas é o amarelecimento e o murchamento das folhas, que pode ocorrer por diversos motivos.
Causas do amarelecimento das folhas
O amarelecimento das folhas da berinjela pode ser uma reação natural ao estresse que a planta sofre ao ser exposta a novas condições. Se as folhas amarelarem logo após o plantio em estufa, provavelmente não há motivo para preocupação — o processo de aclimatação estará completo em cerca de duas semanas e as plantas recuperarão sua aparência saudável. Em outros casos, o amarelecimento das folhas é sintoma de processos patológicos que exigem intervenção do jardineiro para restaurar a saúde das plantas.
Condições de cultivo
A condição das plantas de berinjela e a futura colheita dependem em grande parte da qualidade dos cuidados e da disponibilidade das condições necessárias para o seu desenvolvimento normal. O amarelecimento e o murchamento das folhas podem ser causados por:
Rega incorreta
Quando a água é insuficiente, a planta não envia nutrientes para as folhas, concentrando-os em partes mais importantes — raízes, caules, flores e frutos. Nesse caso, as folhas amarelam e murcham devido à falta de nutrientes. O murchamento e a queda das folhas também podem ser resultado do apodrecimento das raízes causado pelo excesso de água ou pela rega com água fria.
Solo inadequado
Esse sintoma pode ocorrer em berinjelas cultivadas em solos pesados, pobres e muito ácidos. Solos turfosos são a pior opção. As plantas preferem solos soltos e bem aerados.
Temperaturas abaixo do ideal
Oscilações repentinas de temperatura e aumentos acima de 30°C são prejudiciais às berinjelas. Em ambos os casos, as folhas da planta podem amarelar e perder a elasticidade. Além disso, as berinjelas são prejudicadas tanto pelo ar seco e quente, quando as altas temperaturas são causadas por tempo ensolarado e quente, quanto pelo excesso de umidade, quando o aumento da temperatura se deve à ventilação insuficiente na estufa.
Iluminação precária
Em ambientes internos, a planta frequentemente sofre com a falta de luz. O amarelecimento das folhas também pode ser resultado de queimaduras solares, inclusive causadas por lâmpadas de cultivo usadas para compensar a falta de luz solar.
Evite plantar berinjelas em áreas onde foram cultivados tomates, pimentões ou batatas na safra anterior. Após essas culturas, o solo precisa se recuperar por pelo menos três anos antes que as berinjelas possam ser plantadas no mesmo local. O local ideal para o plantio de berinjelas é em áreas anteriormente ocupadas por repolho, pepino, leguminosas e ervas perenes.
Doenças e pragas
Pragas e patógenos também afetam a aparência das plantas, incluindo sua folhagem. O amarelecimento e o murchamento das folhas da berinjela são sintomas de doenças como:
Murcha de Fusarium
A fusariose é uma doença fúngica cujos sintomas aparecem nas folhas inferiores. Ela ataca o interior da planta, interrompendo a função vascular, impedindo a distribuição de nutrientes pelos tecidos e causando toxicidade. Na maioria das vezes, a doença resulta na morte da planta, mas em alguns casos, ela pode continuar a crescer (embora lentamente) e até produzir alguns frutos pequenos. A fusariose é desencadeada por excesso de água, aumento da acidez do solo e altas temperaturas (25–28 °C).
Murcha de Verticillium
Geralmente, a doença aparece durante a formação dos frutos. Inicialmente, os segmentos das folhas na parte inferior do arbusto ficam amarelos, seguidos pelo aparecimento de manchas marrons com borda amarela nas lâminas foliares. A doença ataca os vasos sanguíneos da planta, impedindo o fluxo de seiva. O agente causador, um fungo, é ativado pela irrigação insuficiente e temperaturas em torno de 16 a 20 °C. A doença também ocorre frequentemente quando quantidades excessivas de nitrogênio são aplicadas às raízes por meio de fertilizantes orgânicos (o esterco é particularmente perigoso).
Mosaico
Uma doença viral que afeta frequentemente as beringelas em estufas devido à insuficiência de luz. Outro fator que desencadeia a doença é a queda da temperatura do ar. Manchas de tons mais claros e mais escuros de verde aparecem nas folhas, que posteriormente amarelam. A principal consequência da doença é o crescimento atrofiado dos frutos. As beringelas maduras apresentam polpa fibrosa.
Entre as pragas que podem atacar a berinjela, os ácaros causam amarelecimento e murchamento das folhas. Aglomerados de minúsculos parasitas, visualmente semelhantes a poeira sobre as lâminas foliares, podem ser encontrados na parte inferior das folhas mais baixas. Se os ácaros estiverem presentes nas plantas por um longo período, teias também podem ser vistas emaranhadas nas folhas. Nos estágios iniciais da infestação, manchas descoloridas aparecem nas picadas dos insetos; posteriormente, a folha fica coberta de manchas claras, enrola-se, amarela e murcha. A atividade da praga causa o nanismo da planta.
Deficiências nutricionais
A berinjela pode reagir à falta de nutrientes em vários elementos com o amarelecimento das folhas, mas na maioria das vezes o sintoma indica deficiência de:
- Nitrogênio. Nesse caso, as folhas inferiores do arbusto amarelam e murcham primeiro. O nitrogênio é responsável pela distribuição de nutrientes entre as partes da planta; uma deficiência interrompe o metabolismo da planta. Como resultado, as folhas não recebem a nutrição necessária e murcham.
- Potássio. Além do amarelecimento das folhas, a deficiência manifesta-se em floração deficiente, ressecamento das margens das folhas e manchas nos frutos.
- Magnésio. As folhas inferiores clareiam, adquirindo uma tonalidade amarelada, enquanto as nervuras mantêm um tom verde escuro.
- Manganês. Os sinais de deficiência são semelhantes aos da doença do mosaico foliar.
Não apenas o plantio de plantas anteriores inadequadas, mas também o plantio de berinjelas no mesmo local por dois anos consecutivos empobrece consideravelmente o solo, privando-o dos nutrientes essenciais para a planta. Caso não seja possível alterar a localização dos canteiros, é necessário realizar a adubação e o enriquecimento anual do solo antes do plantio.
Eliminando o problema das folhas amarelas
Folhas amareladas em berinjelas não são uma doença, mas sim um sintoma de um processo patológico, portanto não existem tratamentos gerais. A causa subjacente deve ser tratada e medidas tomadas para mitigar suas consequências.
Eliminação das consequências da violação do cuidado
Se o amarelecimento das folhas for causado por práticas de jardinagem inadequadas, além de corrigi-las, é necessário fortalecer a planta e ajudá-la a lidar com o estresse. Nesse caso, recomenda-se uma das seguintes adubações foliares:
- boro – dissolva 5 g de ácido bórico em uma pequena quantidade de água quente (+50…+55°C), após a dissolução dilua com 10 litros de água fria;
- Fermento biológico seco: dissolva 10 g de fermento biológico seco em um balde com água morna, deixe descansar por 2 dias e, antes de pulverizar, dilua 1 parte da solução em 10 partes de água.
Tratamento de doenças
A murcha de Fusarium se espalha rapidamente pelas plantações de berinjela, por isso é importante remover as áreas afetadas da planta e todas as ervas daninhas da região. Os restos da planta devem ser queimados para evitar a disseminação do fungo. Em seguida, trate a cultura com fungicidas. Fungicidas adequados incluem Fundazol, Benazol e Consento.
A murcha de Verticillium é ainda mais perigosa para as berinjelas; recomenda-se a remoção e queima das plantas afetadas. Outras plantas devem ser tratadas com Vitaros, Consento, Topsin-M e Previkur.
Ambas as doenças não podem ser curadas com remédios caseiros, mas o tratamento regular das plantas não infectadas ajudará a conter a disseminação do fungo em toda a plantação de berinjela. Os remédios caseiros mais eficazes contra a murcha de fusarium e verticillium são:
- Soro de leite. Dilua uma parte de soro de leite (leite azedo) com um volume igual de água. Deixe em infusão por 12 horas e depois coe.
- Fermento. Dissolva 100 g de fermento fresco e 100 g de açúcar em 3 litros de água morna. Deixe fermentar em local aquecido por 2 a 3 dias, mexendo ocasionalmente. Dilua a mistura final com 10 partes de água.
Não existem medicamentos antivirais eficazes, portanto, o controle do mosaico do tabaco envolve a prevenção e a remoção de plantas doentes e ervas daninhas. Recomenda-se tratar plantas saudáveis com soro de leite.
Removendo ácaros
Ao combater ácaros, evite o uso de inseticidas químicos sempre que possível. Para infestações menores, tratamentos biológicos como Kraft, Bitoxibacilina e Kleschevit podem ser eficazes. Remédios caseiros também são bastante eficazes.
- Cascas de cebola. Despeje 3 litros de água fervente sobre 500 g de cascas. Deixe em infusão por 3 dias e, em seguida, coe antes de pulverizar.
- Alho. Amasse os dentes de 3 cabeças de alho e adicione 2 litros de água quente. Deixe em infusão por 24 horas e depois coe. Antes de usar, dilua a infusão com 3 partes de água.
- Calêndulas. Um balde com flores de calêndula secas é preenchido com água e deixado em um local escuro por 2 dias.
Os remédios caseiros mais eficazes contra ácaros são uma solução de sabão ou álcool (2 colheres de sopa de álcool a 96% por litro de água), bem como fumaça de tabaco (para fumigar uma estufa).
Em caso de infestação extensa de pragas, somente o tratamento com produtos especializados será eficaz: Sanmite, Oberon, Actellic, Neoron, Confidor, Flumite.
Medidas a serem tomadas em caso de deficiência nutricional
Se as berinjelas apresentarem deficiência de nutrientes, a adubação foliar é necessária. Esse método garante que a planta receba os elementos necessários o mais rápido possível e elimina quaisquer problemas de absorção decorrentes do solo ou das condições de cultivo.
| Elemento | Fertilizante | Volume de substância por 10 litros de água |
| azoto | nitrato de amônio ou ureia | 4-5 g |
| potássio | sulfato de potássio | 6 g |
| magnésio | sulfato de magnésio | 1 g |
| manganês | sulfato de manganês | 5 g |
Prevenção
A principal medida para prevenir o amarelecimento das folhas da berinjela é garantir que as plantas recebam os cuidados adequados. As berinjelas reagem rapidamente aos erros do jardineiro, não apenas com o amarelecimento das folhas, mas também com a queda das flores e dos ovários. A colheita só pode ser salva se as plantas receberem todas as condições necessárias.
Medidas básicas para evitar o aparecimento de folhas amarelas em berinjelas:
- Como a rotação de culturas é difícil em estufas, é importante renovar a camada superficial do solo a cada poucos anos. O solo para o cultivo de berinjelas precisa ser preparado: solos ácidos devem ser calcificados e solos pesados devem ser afofados. Areia, serragem curtida e esterco curtido podem ser usados como agentes afofantes. Composto orgânico e grama em placas devem ser adicionados a solos turfosos. Durante a estação de crescimento, o afofamento do solo é muito benéfico – esse procedimento não só fornece oxigênio às raízes, como também reduz o risco de doenças fúngicas.
- Para ajudar as mudas de berinjela a se adaptarem melhor e mais rapidamente após o transplante para a estufa, aclimate-as gradualmente. As plantas devem ser transplantadas para o novo local com o torrão de raízes ainda preso, tomando cuidado para não danificá-las.
- As beringelas requerem umidade regular e adequada do solo. Durante a fase inicial de crescimento, as plantas recebem 10 litros de água por metro quadrado uma vez por semana e, durante a floração, 12 litros por metro quadrado duas vezes por semana.
- A diferença entre a temperatura do solo e da água de irrigação não deve ser muito grande, caso contrário, o sistema radicular da berinjela será danificado e poderá ocorrer apodrecimento. A irrigação com água fria também aumenta o risco de doenças fúngicas (antracnose, oídio, mofo cinzento, piolho-de-cobre, entre outras).
- Em estufas de vidro onde as plantas ficam expostas à luz solar direta, ou se for utilizada iluminação suplementar, evite borrifar água nas berinjelas para evitar queimaduras. A rega à noite é preferível.
- Se as temperaturas estiverem altas, a estufa deve ser ventilada com frequência. Para resfriá-la, coloque baldes de água fria entre as fileiras, lembrando-se de trocar a água aquecida periodicamente.
Evite plantar berinjelas perto da entrada da estufa, pois é nesse local que a diferença de temperatura entre o interior e o exterior terá o maior impacto sobre as plantas.
- A prevenção de doenças fúngicas é especialmente importante para o cultivo de berinjelas em estufa. Recomenda-se o tratamento prévio das sementes (por exemplo, imersão em solução de permanganato de potássio), a desinfecção do solo para as mudas e tratamentos preventivos com remédios caseiros e produtos biológicos. Entre estes últimos, o Trichodermin é eficaz quando aplicado nas covas de plantio em estufa (mas a temperatura do solo não deve cair abaixo de 14°C; o produto é mais eficaz a 18°C). Dez dias após o plantio das mudas em ambiente interno, pode-se aplicar a primeira pulverização preventiva com fungicida. O Antracol, à base de zinco, é uma boa opção.
O amarelecimento das folhas pode ser causado por diversos fatores, dificultando o diagnóstico e o tratamento. Uma vez detectada uma doença ou deficiência nutricional, é fundamental avaliar criticamente as condições de cultivo e garantir o ambiente ideal para as plantas. Por outro lado, não se apresse em fertilizar se as práticas de cultivo adequadas não forem seguidas — melhorar as condições é essencial. Essa precaução evitará a superalimentação das suas berinjelas.

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