Sintomas de intoxicação por cogumelos e primeiros socorros em casa (+22 fotos)

Cogumelos

Na última década, a Rússia tem observado uma tendência crescente nos casos de intoxicação alimentar aguda. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 2% da população busca atendimento médico anualmente devido à intoxicação por cogumelos.

Apesar de anos de experiência no diagnóstico e tratamento dessa condição, o diagnóstico inicial é complexo e requer diferenciação. As dificuldades frequentemente se associam à variedade de sintomas e síndromes toxicológicas que surgem da exposição às toxinas. Devido à prevalência do envenenamento agudo por cogumelos, todos devem estar cientes das opções de tratamento de emergência.

Quanto tempo demora para os primeiros sintomas aparecerem?

O período em que os sintomas aparecem depende de muitos fatores:

  • tipo de cogumelo venenoso;
  • quantidade ingerida;
  • Forças protetoras individuais do organismo e o funcionamento do sistema imunológico-humoral.

Os cogumelos mais tóxicos são os dos gêneros Amanita (A. phalloides, A. virosa, A. verna, A. ocreata), Galerina (G. autumnalis, G. marginata) e Lepiota. O início dos sintomas ocorre, em média, seis horas após a ingestão.

No caso do grupo Amanita, a intoxicação geralmente ocorre dentro de 24 a 48 horas. Isso tem um efeito adverso nos pacientes, pois todas as toxinas produzidas já entraram na corrente sanguínea nesse período, dificultando o tratamento.

Os principais sintomas de envenenamento por plantas e cogumelos

Dependendo do tipo de cogumelo consumido, da presença de certas toxinas, do tempo decorrido entre o consumo e as primeiras manifestações clínicas, e da presença de sintomas e sinais típicos, geralmente aceita-se uma classificação sindrômica do envenenamento por cogumelos.

Dependendo do tipo de lesão

Existem 3 grupos de envenenamento por cogumelos e plantas venenosas:

  1. Com ação gastroenterotrópica.
  2. Com ação neurotrópica.
  3. Com ação hepatonefrotrópica.
Tipos de envenenamento por cogumelos
Tipos de envenenamento por cogumelos

O envenenamento do Grupo I é causado pela ingestão de diferentes tipos de cogumelos (sorveira venenosa, falso cogumelo amarelo-enxofre, falso cogumelo vermelho-tijolo, gerânio venenoso, gerânio listrado escuro, entoloma venenoso, entoloma cinza venenoso), que têm em comum a presença de substâncias irritantes e aminas biogênicas, as quais, em regra, não possuem efeito de absorção.

O quadro clínico do envenenamento é bastante característico: início rápido dos sintomas (em até 20 minutos, raramente em 2 a 3 horas após a ingestão), seguido de gastroenterite, que tipicamente dura de algumas horas a um dia. Na ausência de doenças concomitantes descompensadas, os pacientes não morrem. O prognóstico é favorável.

O envenenamento por plantas e cogumelos venenosos do Grupo II resulta, na maioria das vezes, do consumo de espécies bastante perigosas do gênero Inocybe patujara (Amanita muscaria, Amanita panterina, Clitocybe dealbata, Clitocybe cerusata e Omphalotus olearius). Os primeiros sintomas surgem entre 30 minutos e 2 horas após a ingestão. Dependendo da espécie de cogumelo, as substâncias presentes determinam o quadro clínico do envenenamento.

  • muscarina;
  • muscaridina.

Com predominância do conteúdo muscarínico (em caso de intoxicação por cogumelos como Inocybe patujara, Amanita muscaria e Amanita panterina), a síndrome colinérgica prevalece na totalidade das manifestações:

  • miose;
  • salivação;
  • broncorreia;
  • broncoconstrição;
  • dor aguda paroxística no abdômen;
  • Náuseas, vômitos, diarreia.

Manifestam-se impurezas da muscaridina e de substâncias com efeitos semelhantes:

  • midríase;
  • lacrimejamento;
  • suando.

Em seguida, surgem sinais de lesão no sistema nervoso central: confusão, delírio, letargia, desorientação, que posteriormente evolui para um estado de sonolência.

O envenenamento do tipo III envolve falatoxinas e amanitotoxinas, encontradas, por exemplo, no cogumelo Amanita phalloides (abóbora-da-morte). Os sintomas se distribuem ao longo de um período de tempo:

  • assintomático (até 6 dias);
  • Distúrbios gastrointestinais (ocorrem repentinamente, muitas vezes não associados aos cogumelos, pois já se passaram vários dias desde a sua ingestão. Desenvolvem-se sintomas de gastroenterite — diarreia, vômitos, dor abdominal. Dura três dias. Os óbitos durante este período são raros);
  • Hepatite falóide (dura de 2 a 3 semanas. Observam-se sintomas de insuficiência renal aguda e insuficiência hepática: icterícia cutânea, síndrome hemorrágica, dor abdominal, alteração do nível de consciência, convulsões, coma, ocorrência de oligúria e anúria. Durante esse período, os desfechos fatais são os mais frequentes);
  • saída (redução na intensidade dos sintomas).

envenenamento por cogumelos em conserva

O envenenamento por cogumelos em conserva é possível. Nesse caso, o quadro clínico mais comum é o do botulismo. Após 4 a 5 horas, desenvolvem-se sintomas gastrointestinais, paresia gastrointestinal e intoxicação.

O quadro clínico é bastante pronunciado. O paciente apresenta náuseas, vômitos até 10 vezes ao dia e dor epigástrica. Em 60 minutos, a diarreia dá lugar à constipação, sensação de distensão abdominal e aumento da produção de gases.

Lembrar!
O principal alvo da toxina botulínica é o sistema nervoso. Isso pode causar visão dupla (diplopia), boca e nasofaringe secas, distúrbios da fala, luxação da língua e paresia dos músculos lisos e esqueléticos.

Primeiros socorros em casa

Na fase pré-hospitalar, em casa, deve-se seguir o seguinte algoritmo de primeiros socorros:

  1. Exame do paciente durante a insuficiência das funções vitais. Dependendo do tipo de insuficiência, verifica-se a permeabilidade das vias aéreas e restaura-se a ventilação e a circulação comprometidas por meio de respiração boca a boca e boca a nariz, bem como compressões torácicas.

    Medidas a serem tomadas em caso de intoxicação por cogumelos
    Medidas a serem tomadas em caso de intoxicação por cogumelos
  2. Se o paciente estiver consciente e não houver distúrbios hemodinâmicos, realiza-se a lavagem gástrica com uma sonda de calibre grosso ou induz-se o vômito (caso o paciente esteja consciente). O uso de eméticos (xarope de ipecacuanha, etc.) não é indicado.

Caso sejam detectadas alterações no nível de consciência (estupor, coma) ou nos parâmetros hemodinâmicos, estas são tratadas com medidas de reanimação. A lavagem gástrica é adiada até que o paciente seja internado em uma unidade de terapia intensiva especializada.

A equipe da ambulância realiza as seguintes atividades:

  1. O carvão ativado misturado com laxantes (sorbitol) pode ser administrado por via oral ou por sonda gástrica. Laxantes não são prescritos em casos de diarreia.
  2. Caso predominem os sintomas de intoxicação por muscarina, administra-se atropina a 0,1% por via intravenosa, na dose de 1 a 3 ml, até que se obtenham sinais clínicos de atropinização moderada.

    Procedimento para prestar primeiros socorros
    Procedimento para prestar primeiros socorros
  3. Caso predominem os sintomas de intoxicação por muscaridina, prescreve-se fisostigmina (0,5-2 mg) ou galantamina (0,5-0,75 mg) por via intravenosa como antídoto.
  4. O tratamento para convulsões, caso ocorram, difere pouco da terapia padrão para casos semelhantes. Administra-se GABA por via intravenosa na dose de 100-150 mg/kg, ou Sibazon (0,5 mg/kg), ou Diphenin (15-20 mg/kg) lentamente, diluído em 50-100 ml de solução de NaCl a 0,9%.
  5. Em seguida, é necessária a hospitalização em uma unidade de terapia intensiva especializada.

Tratamento adicional

Na fase hospitalar, são realizadas as seguintes medidas, que levam necessariamente em consideração tudo o que foi feito antes da admissão do paciente no hospital:

  1. Caso as funções vitais não sejam restauradas, esses distúrbios devem ser eliminados.
  2. Em caso de recidiva da síndrome colinérgica: Atropina 0,1% na dose de 0,001-0,003 mg/kg até que ocorra atropinização moderada.
  3. Caso se desenvolva síndrome anticolinérgica, a fisostigmina deve ser administrada novamente, conforme necessário, após 20 a 30 minutos, e a galantamina, na dose de 0,5 a 0,75 mg por dia, dividida em 4 doses.

    Síndrome anticolinérgica
    Síndrome anticolinérgica
  4. Anticonvulsivantes - em caso de recorrência de convulsões (em metade da dose).
  5. Terapia de infusão: em pacientes com perdas hidroeletrolíticas graves, administrar bolus de soluções de infusão de 15 a 20 ml/kg de peso corporal (NaCl a 0,9%, Acesol, Disol, Trisol, soluções de Ringer, Ringer lactato, Hartmann). A terapia é realizada sob controle da diurese, pressão venosa central, turgor e umidade da pele e das mucosas, perfusão das veias subcutâneas e dados da ausculta pulmonar.
  6. Na ausência de perdas hidroeletrolíticas, são prescritos cristaloides, soluções de bicarbonato de sódio a 3-4%, preparações de HEC, Rheopolyglucin, Rheosorbilact, etc. (até 40-50 ml por kg por dia); se os vômitos e a diarreia persistirem, a deficiência deve ser reposta adequadamente.
  7. Caso as fezes não apresentem coloração pelo carvão ativado ingerido dentro de 7 a 8 horas após a dose inicial, prescreva novamente metade da dose do laxante.
  8. Caso os vômitos e a diarreia persistam, não devem ser prescritos medicamentos antieméticos e antidiarreicos, a fim de favorecer a limpeza espontânea do estômago e dos intestinos das toxinas fúngicas.
  9. Terapia sintomática.

https://www.youtube.com/watch?v=iB3555vNg28

Terapia com antídoto:

  1. Benzilpenicilina: 0,5 a 1 milhão de unidades/kg de peso corporal por dia, por via intravenosa, durante os três primeiros dias;
  2. Silibinina: 20 mg/kg por dia, por via oral (na ausência de vômitos), durante 10 a 12 dias. A dose diária deve ser dividida em 3 doses. Os seguintes medicamentos contêm silibinina: Silibor, Carsil e Legalon.

Respostas às perguntas mais frequentes

Qual é o tipo de envenenamento por cogumelos mais perigoso?
O envenenamento mais perigoso pertence ao terceiro grupo, pois causa complicações fatais em um curto período de tempo. Isso inclui o cogumelo mais conhecido, o amanita phalloides (também conhecido como chapéu-da-morte).
Como o álcool afeta o grau de intoxicação?
O álcool tem um efeito tóxico no corpo humano. Quando consumido em conjunto com o envenenamento por cogumelos, o quadro clínico se agrava. Salvar a vida de um paciente nessas condições é extremamente difícil. Os sintomas se desenvolvem rapidamente e levam à morte em pouco tempo.
É possível recuperar totalmente a saúde após uma intoxicação por cogumelos?
Sim. Com assistência oportuna e seguindo as recomendações médicas, a saúde é totalmente restaurada em 90% dos casos.

Em resumo, é importante reconhecer que o envenenamento por cogumelos, particularmente os do gênero Amanita, costuma ser fatal. Um desfecho positivo depende de atendimento médico imediato, que deve ser abrangente e especializado, utilizando métodos de descontaminação gastrointestinal, reposição de fluidos, desintoxicação extracorpórea e administração precoce de antídotos.

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